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Substâncias

Nicotina: a dependência que quase ninguém trata junto

É a dependência mais prevalente entre pessoas em tratamento para álcool e outras drogas, e a que quase ninguém trata. Este texto explica por que isso é um erro e o que existe de concreto.

Nascente Clínicas de Recuperação · Equipe editorial

Atualizado em · 2 min de leitura · como escrevemos

Por que ela é ignorada

Há uma crença arraigada, inclusive entre profissionais, de que tirar o cigarro atrapalha o tratamento das outras substâncias — que já é sacrifício demais de uma vez. A literatura mais recente aponta o contrário: tratar o tabagismo junto não piora o resultado e, em vários estudos, melhora.

Some-se a isso o fato de que, a longo prazo, o cigarro é o que mais mata pessoas que se recuperaram de outras dependências. Sobreviver ao crack e morrer de doença pulmonar aos 55 é um desfecho comum e evitável.

Como a nicotina funciona

Absorção pulmonar leva a substância ao cérebro em segundos, com pico rápido e queda rápida — o mesmo perfil farmacológico que torna o crack tão compulsivo. Daí o padrão de uso repetido ao longo de todo o dia.

A abstinência produz irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, aumento de apetite e insônia, com pico nos primeiros três a cinco dias.

Cigarro eletrônico não é solução

Dispositivos eletrônicos entregam nicotina em concentrações frequentemente altas e mantêm a dependência ativa, além de terem efeitos respiratórios próprios ainda em estudo. A comercialização deles é proibida no Brasil.

Trocar cigarro por vape costuma ser troca de via, não redução de dependência.

O que existe de tratamento

Terapia de reposição de nicotina em formas farmacêuticas controladas, medicamentos específicos para cessação e abordagem comportamental estruturada. A combinação de medicação e apoio comportamental tem resultado superior a qualquer uma isolada.

No SUS, o tratamento do tabagismo é oferecido gratuitamente na Atenção Básica, com grupos e medicação. Pergunte na UBS do seu município.

Quando abordar dentro da internação

Não nos primeiros dias, quando a abstinência das outras substâncias já está no pico. A janela costuma ser depois da estabilização, quando sono e humor se reorganizaram.

O que importa é que o assunto entre no plano terapêutico em algum momento, com data — e não fique como aquele problema que todo mundo concorda em deixar para depois, indefinidamente.

Perguntas frequentes

Parar tudo de uma vez não é demais?

Era o que se acreditava. A evidência atual não sustenta que tratar o tabagismo junto prejudique a recuperação das outras substâncias.

Tem tratamento gratuito?

Sim. O programa de tratamento do tabagismo do SUS é oferecido na Atenção Básica, com grupos e medicação, sem custo.

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