Nascente Clínicas de Recuperação · Equipe editorial
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Como reconhecer
Delírio persecutório: convicção de estar sendo vigiado, perseguido, traído ou envenenado, sustentada mesmo diante de evidência contrária. Alucinações: ouvir vozes, ver pessoas ou sentir coisas na pele. Desorganização do pensamento e da fala. Agitação intensa ou, ao contrário, imobilidade e mutismo.
Quadros induzidos por estimulantes costumam ter forte componente persecutório e vir acompanhados de insônia de vários dias. Insônia prolongada, por si só, agrava e prolonga o quadro.
As três primeiras coisas a fazer
Reduza os estímulos. Desligue televisão e música, acenda a luz, peça para as outras pessoas saírem do cômodo. Ambiente cheio e barulhento intensifica a paranoia.
Baixe o tom e a velocidade. Fale devagar, frases curtas, uma pessoa por vez. Mantenha distância física confortável e não bloqueie a saída — sentir-se encurralado é o principal gatilho de agressividade.
Chame ajuda. 192 (SAMU) para atendimento. Descreva o que está acontecendo e informe o uso de substância, se souber.
O que dizer e o que não dizer
Não confirme o delírio ('sim, tem alguém lá fora') e não confronte ('isso é bobagem, não tem ninguém'). As duas saídas pioram. O caminho do meio é validar o sentimento sem validar o conteúdo: 'eu não estou vendo isso, mas dá pra ver que você está com muito medo. Eu estou aqui com você.'
Evite ordens, ameaças e ultimatos. Evite tocar sem avisar. Avise antes de cada movimento seu: 'eu vou pegar um copo de água na cozinha e já volto.'
Quando é risco imediato
Ameaça concreta a si ou a outros, posse de objeto perigoso, agressão física, tentativa de sair para a rua em estado de desorientação. Nesses casos, prioridade absoluta é segurança: saia do ambiente com as outras pessoas, especialmente crianças, e chame socorro de um local seguro.
Contenção física por pessoas sem treino machuca os dois lados e deve ser evitada. Quando é inevitável, é papel de equipe treinada.
Depois que passa
A maior parte dos quadros induzidos por substância cede com a interrupção do uso, sono e tratamento adequado, em dias a poucas semanas. Alguns persistem e revelam um transtorno psiquiátrico que já existia ou que foi precipitado pelo uso — o que muda o plano de tratamento.
De qualquer forma, um episódio psicótico é indicação clara de avaliação psiquiátrica, e frequentemente de internação: é o momento em que o risco justifica um ambiente com equipe presente 24 horas.
Perguntas frequentes
Isso vira esquizofrenia?
Nem sempre. Muitos quadros induzidos por substância resolvem com abstinência e tratamento. Uma parte, porém, evolui para transtorno psicótico persistente, o que só se distingue com acompanhamento ao longo do tempo.
Posso levar para o pronto-socorro por conta própria?
Se a pessoa aceitar ir e não houver agressividade, sim. Se houver recusa e risco, o caminho é acionar o 192, que tem protocolo e equipe para isso.